4a MCPB

4a Mostra Cinema Popular Brasileiro privilegia debates – 2007
A quarta edição da Mostra Cinema Popular propôs para debate um tema já pautado, entretendo ainda muito atual e que adjetiva a visão de nós brasileiros sobre nossa própria ética social. O ‘jeitinho brasileiro’ ainda é um traço (negativo) da identidade do brasileiro? Será que apenas de esquemas e falcatruas, golpes e armadilhas vive povo brasileiro? E a velha malandragem, ainda é como antigamente, ou será que o significado da palavra tal como era aplicada no Rio de Janeiro dos anos 30, inverteu-se absolutamente?

Sem pretensão de apresentar conclusões, a 4ª Mostra Cinema Popular Brasileiro propõem o debate sobre este perfil da personalidade do povo brasileiro comentado inúmeras vezes pelo cinema nacional contemporâneo.

Nesta perspectiva, nossa Curadoria buscou apresentar filmes que abordam o tema ‘Malandragem’ para serem privilegiados nessa edição do projeto. O longa-metragem ‘Madame Satã’, abriu a Mostra, no Espaço Cultural São Pedro da Serra, em São Pedro da Serra.

Integram-se à programação da Mostra, além do longa-metragem de Karim Aïnouz, uma lista de curtas-metragens de diversos estados brasileiros. Obras premiadas, outras que ainda estão chegando ao circuito exibidor alternativo, como nos cineclubes, onde os curtas nacionais têm encontrado grande receptividade, obras experimentais e profissionais produzidas com ou sem patrocínios.

Além da exibição dos filmes, durante os dias da Mostra, o público participou de debates com realizadores e pesquisadores de cinema de antropologia.

Programação

Sexta-Feira
27 de abril
20h00

Madame Satã
Dir. Karim Aïnouz

SinopseRio de Janeiro, 1932. No bairro da Lapa vive encarcerado na prisão João Francisco (Lázaro Ramos), artista transformista que sonha em se tornar um grande astro dos palcos. Após deixar o cárcere, João passa a viver com Laurita (Marcélia Cartaxo), prostituta e sua “esposa”; Firmina, a filha de Laurita; Tabu (Flávio Bauraqui), seu cúmplice; Renatinho (Felippe Marques), sem amante e também traidor; e ainda Amador (Emiliano Queiroz), dono do bar Danúbio Azul. É neste ambiente que João Francisco irá se transformar no mito Madame Satã, nome retirado do filme Madame Satã (1932), dirigido por Cecil B. deMille, que João Francisco viu e adorou.

Ficha Técnica
Gênero: Drama
Roteiro: Karim Aïnouz
Produção: Isabel Diegues, Maurício Andrade Ramos e Walter Salles
Música: Marcos Suzano e Sacha Amback
Fotografia: Walter Carvalho
Direção de Arte: Marcos Pedroso
Edição: Isabela Monteiro de Castro Elenco
Duração: 105 minutos
Ano: 2002
Brasil
Sábado
28 de abril
16h00

Sessão Curta Cinema Brasileiro I

Hip Hop com dendê
Dir. Fabíola Aquino

SinopseReflexo do movimento que ganha milhares de adeptos no mundo, o hip hop chega à Bahia e conquista grande parte da sua juventude periférica que mistura os elementos – grafite, break, rap, DJ, MC e o “pensamento” – com as expressões artísticas locais. Juntos descobrem formas alternativas de se comunicar e falar para aos seus, por meio de rádios comunitárias, jornal comunitário, internet e em especial o boca a boca.

Ficha Técnica
Roteiro e Direção: Fabíola Aquino e Lílian Machado
Orientação Acadêmica: Daniela Souza
Produção: Fabíola Aquino
Cinegrafistas: Sérgio Sacramento, Antonio Figueiredo, Péricles Palmeira, Viva Varjão e Fabíola Aquino
Edição: Juliana Bacelar e Renato Gaiarsa
Direção de Arte: Berimbau Filmes
Trilha sonora: Juliana Bacelar e Fabíola Aquino
Músicas: Afrogueto
Realização: Faculdade Dois de Julho e Berimbau Filmes
Apoio: CMA Hip hop e TVE
Gênero: documentário
Formato: Vídeo digital (mini dv)
Duração: 15 min
Ano: 2005
Bahia
A Última do Amigo da Onça
Dir. Terêncio Porto
SinopseEncontro do cartunista Péricles de Andrade Maranhão com sua criatura, o Amigo da Onça da Onça, no último dia do ano de 1961.Último dia do conturbado ano de 1961. Em seu apartamento, o desenhista pernambucano Péricles de Andrade Maranhão, obscuro criador do mais conhecido personagem do cartum brasileiro dos anos 50 e 60, o imortal Amigo da Onça, enfrenta seus fantasmas e tormentos.Solitário, Péricles resolve vaguear pelas ruas do Rio de Janeiro na véspera de Ano Novo. É quando se da o insólito encontro entre o criador e sua criatura. Péricles é arrastado pelo AMIGO DA ONÇA de confusão em confusão até uma louca festa de Reveillon, onde o finório gaiato termina por apresentar-lhe uma mulher tão deslumbrante quanto fatal.

Ficha Técnica
Produção: Francisco Serra
Fotografia: Araken Dourado
Roteiro: Ricardo Favilla, Ofeliano
Som Direto: Bruno Espírito Santo
Direção de Arte: Rafael Targat
Edição de som: Bernardo Gebara
Produção Executiva: Terêncio Porto, Adriana Nolasco
Montagem: Eduardo Hartung
Música: Daniel Castanheira
Gênero: Ficção
Suporte: 35 mm
Duração: 18’’
Ano: 2005
Rio de Janeiro
O Som da Luz do Trovão
Dir. Petrônio Lorena e Tiago Scorza
SinopseNada se está onde se avista…
Ficha Técnica
Produção: Tiago Morena, Elaine Olinda, Alvaro Severo
Fotografia: Lourival Batista, Tiago Scorza, Willian Cubits
Roteiro: Tiago Scorza, Petronio Lorena
Som Direto: Bruno Espírito Santo, Rafael Eiras
Animação: Lourival Batista, Dani Brilhante
Montagem: Esdras Montgomery
Trilha Sonora: Petrônio Lorena
Gênero: Documentário
Suporte: 35 mm
Duração: 20’’
Ano: 2005
Rio de Janeiro
Operação Morengueira
Dir. Chico Serra e Godofredo Quincas
SinopseApós a invasão da Lapa por um bando de terroristas, boêmio incauto tem uma visão mediúnica de Kid Morengueira, recebendo o velho malandro a missão de acabar com a xavecagem no bairro boêmio. Superbang-bang inspirado nos sambas de breque de Moreira da Silva e Miguel Gustavo.
Ficha Técnica
Roteiro: Chico Serra e Godofredo Quincas
Fotografia: Pedro Bronz
Operador de Câmera: Pedro Bronz
Direção de Arte: Rebeca Ramos Garcia
Som: Bruno Espírito Santo
Montagem: Karen Akerman
Edição: Karen Akerman
Produção: Executiva Guilherme Whitaker, Pedro Bronz e Chico Serra
Produção: Chico Serra e Godofredo Quincas
Produtora: WSet Filmes, Cineclube Pela Madrugada
Gênero: Ficção
Suporte: Vídeo (DV)
Duração: 16’’
Ano: 2005
Rio de Janeiro
Vai indo que eu já vou
Dir. Rubem Barros Marcelo Perez
Sinopse“Vai indo que eu já vou” é uma expressão popular usada com diferentes sentidos. Um deles expressa, com o uso de ironia, o desejo de desvincular-se de seu interlocutor.O documentário Vai indo que eu já vou trata do imaginário da morte, sobretudo da maneira como fantasiamos a nossa própria morte e o seu entorno. Onze moradores da cidade de São Paulo, das mais diversas procedências e classes sociais, tecem uma narrativa conjunta e fragmentada acerca de suas experiências fúnebres – o primeiro cadáver que viram, as tradições culturais de seus lugares de origem, os sonhos e visões premonitórias – além de projetar como gostariam que fosse sua cerimônia de despedida.Um cineasta e escritor, um irlandês ex-padre, duas donas-de-casa e um mecânico pernambucanos, um mexicano dono de restaurante, um dono de cemitério, uma florista, duas jovens vendedoras e uma produtora deixam de lado o pudor e revelam como querem as coisas “naquela” hora.
Ficha Técnica
Roteiro e Argumento: Rubem Barros
Produção: Mariana Bagarollo Luise Monteiro
Ass. Produção: Caio Lamas Bruno Lombizani
Câmera e pós-produção de vídeo: Marcelo Perez
Iluminação: Rubens Machado e Humberto Araújo
Edição: Luíse Monteiro, Marcelo Perez, Rubem Barros
Som: Tiago Lorena (Input Som)
Apoio: Faculdade Cásper Líbero
18h00
Debate
Cinema, Antropologia e Malandragem
20h00

Cidade Baixa
Dir. Sérgio Machado

Sinopse
Deco (Lázaro Ramos) e Naldinho (Wagner Moura) se conhecem desde garotos, sendo difícil até mesmo falar em um sem se lembrar do outro. Eles ganham a vida fazendo fretes e aplicando pequenos golpes a bordo do Dany Boy, um barco a vapor que compraram em parceria. Um dia surge Karinna (Alice Braga), uma stripper que deseja arranjar um gringo endinheirado no carnaval de Salvador a quem a dupla dá uma carona. Após descarregarem em Cachoeira, Deco e Naldinho vão até uma rinha de galos. Naldinho aposta o dinheiro ganho com o frete, mas se envolve em confusão e termina recebendo uma facada. Deco defende o amigo e ataca o agressor, mas os dois são obrigados a fugir no barco, rumo a Salvador. Enquanto Naldinho se recupera, Deco tenta conseguir dinheiro para ajudar o amigo. Ao chegarem em Salvador a dupla reencontra Karinna, que está agora trabalhando em uma boate. Aos poucos a atração entre eles cresce, criando a possibilidade de que levem uma vida a três. Ficha Técnica
Ficha Técnica
Roteiro: Sérgio Machado e Karim Ainouz, com colaboração de Adriana Rattes e Gil Vicente Tavares
Produção: Maurício Andrade Ramos e Walter Salles
Música: Carlinhos Brown e Beto Villares
Fotografia: Toca Seabra
Desenho de Produção: Marcelo Torres
Figurino: Cristina Camargo e André Simonetti
Edição: Isabela Monteiro de Castro
Gênero: Drama
Ano: 2005

Domingo
29 de abril
16h00

Debate: O que é popular no cinema brasileiro

18h00 – Sessão Curta Cinema Brasileiro II

Melhor que um Poema
Dir. Cacau Amaral

Sinopse
O documentário “Melhor Que Um Poema” retrata a trajetória de jovens, moradores de periferias, que não têm acesso cultura e lazer, e enxergam no hip hop, a única opção de garantir esse acesso.
Ficha Técnica
Produção: Heloísa Rodrigues
Imagens: Maurício e Nem
Som direto: Dmc
Pesquisa: João Xavier, Cacau Amaral e Heloísa Rodrigues
Edição e trilha: Cacau Amaral
Ano 2006
Duração: 15’’
Suporte: Mini-DV

É Verdade
Dir. e Roteiro Hugo Paulo
Ficha Técnica
Fotografia: Hugo Paulo, Rafael Veloso e Eduardo Vitert
Edição: Rafael Veloso
Trilha: Echoes – Pink Floyd

LesteDir. Christian Steinhauser e Priscila Botto

SinopseConquistada em 1974 por Guilherme Ribeiro de Menezes, José Bezerra Garrido, Waldemar Guimarães e Waldinar Santos de Menezes, a via de escalada Leste, do Pico Maior de Friburgo, é hoje a mais popular do Parque Estadual dos Três Picos. Área conhecida pelos escaladores como Salinas, RJ.Durante mais de 20 anos esta escalada de 700 metros, 2ª via de acesso ao cume dos 2.316 metros do Pico Maior, foi considerada como a mais longa do Brasil e se tornou um mito.O filme “Leste” conta a história desta via através do depoimento dos conquistadores Waldinar e José Garrido e mostra a sua repetição pelos escaladores Sergio Poyares e Pedro Werneck, com uma descida inusitada e ousada de parapente do cume da montanha. Enquanto Poyares desce da maneira tradicional, de rapel, Werneck decola de parapente do Pico Maior, realizando a 2ª decolagem deste cume e repetindo seu feito inédito para o filme.

Ficha Técnica
Conquistadores: José Bezerra Garrido e Waldinar Santos de MenezesConquistadores (em memória): Guilherme Ribeiro de Menezes e Waldemar Ferreira GuimarãesEscalador: Sergio Poyares
Escalador e Piloto: Pedro Werneck
Direção, Produção e Roteiro: Christian Steinhauser e Priscila Botto
Direção de Fotografia: Fábio Serfaty
Edição: Priscila Botto
Trilha Sonora: Instiga
Câmeras: André Kühner, Christian Steinhauser, Fábio Serfaty, Fernando Botto, Mariana Sussekind, Mauricio “Tonto” Clauzet e Priscila Botto
Escaladores de Apoio: Cassiano Ramos, Frederico Almeida e Sergio Tartari
Produção em Terra: Ana Mary Botto e Manoel Muller
Logística de Hospedagem: Patricia Botto
Webmaster: Fernando Barroso
Produtora: Montanhar
Apoio: Eqüinos
Duração: 22’’
Ano: 2006
Criptorquidias Carnavalescas
Dir. Felipe Cataldo
Gênero: Ficção comédia
Duração: 22’’
Rio de Janeiro

CascaduraDir. Felipe Cataldo e Godot Quincas
Gênero: Experimental
Duração: 12’’
Rio de Janeiro

Acervo da Imagem e do Som – Memória de um Povo
Ficha Técnica
Reportagem e Direção: Maria Fernanda Quintela
Câmera: Nenéu Menezes
Produção: Céu Aberto Filmes

Zoo Story
Dir. Shimon Hahmias

SinopseDiálogo inspirado no livro, O homem sem nome de EvanHunter.
Ficha Técnica
Roteiro: Shimon Hahmias
Direção: de imagem Marcelo Taranto
Imagens: Marcelo Taranto e Saul Nahmias
Edição: Momi W. de Oliveira
Pós-edição: Lúcio P. Almeida
Espaço Cultural São Pedro da Serra 3 anos
Dir. Celso Araújo
Gênero: Institucional
Duração: 5’
Ano: 2005
BarbarizandoGênero: Ficção
Duração: 7’35”
São Paulo

Debates
Durante a 4ª Mostra de Cinema Popular Brasileiro foram realizados dois debates. A proposta foi discutir com a platéia, estéticas, estilos e conceitos apresentados nas obras exibidas ao longo do evento. Os debates foram gratuitos e contaram com a participação dos cientistas sociais Pablo Freitas e Marcelo Castañeda.

Sexta-feira
28/04
15h00

Cinema, antropologia e malandragem
Sábado
29/04
16h00